(Sobre)Viver.

A vida foge-me por entre os dedos e quanto mais a tento agarrar mais ela me foge e acaba assim por cair desfeita no meio do chão. Parece que os dias de primavera acabaram e em vez de dar lugar a dias de verão trouxeram de novo o inverno, o tremer de frio, a doença que carrego no meu peito. No lugar de dias felizes vêm agora dias cinzentos.
O relógio para e eu não sei para onde estou a caminhar. Perco-me no nevoeiro e não sei onde estou nem para onde vou. Porquê que a vida é tão incerta? Tão imprevisível, tão própria. Dona de si, e eu que me lixe. Mas se a vida andasse de mãos dadas comigo, isso sim era viver... Viver é bastante diferente de sobreviver, como falsos amigos. Parecem tão iguais e são tão distintos. Entre o medo do que fui, do que sou e da incerteza do que posso vir a ser, aguardo sentada na ponta mais alta deste penhasco e aqui sinto-me vivo. Como sentado sobre a vida e de pés soltos sobre a morte.
Não sei bem para onde vou, mas sei que não quero sair daqui. Viver acima das leis da gravidade, acima das leis humanas e sobre-humanas. Não sei para onde quero ir, mas sei que não quero mais ficar aqui.

Ser humano é uma arte, 
que todos os dias fingimos não ter. - Ariana.

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