Mais pessoas no mundo que amem pessoas.

Lá andava eu, praia fora, cego para e com o mundo. Cego com assuntos do trabalho ou da falta dele, com os assuntos da família que todos temos mesmo sem a ter e com os meus problemas, problemas esses que me cegam. E caminhei a praia de fio a pavio de olhos cerrados ao mundo e abertos ao simples sentir da água gélida nos meus pés que me percorre o corpo inteiro e se instala nos meus ossos. Sentir este cheiro que se havia de misturar com o teu. Nem dei por ti, pelo menos á primeira vista. Maldita cegueira da vida.
Reparei que corrias ao meu lado mesmo antes de o ser e deixei-te ir até ao fim do teu caminho, que mal eu sabia terminaria em mim. Parei e libertei o sufoco dentro de mim com um grito mudo e tu paraste junto a mim. Não me apaixonei á primeira vista, mas ao primeiro toque, porque estava cego com a vida. Apaixonei-me logo por ela, pela pessoa que estava dentro de ti e por cada palavra de consolo, apoio ou qualquer das outras coisas que eu precisava naquele momento.
O sol foi andando e nós ainda ficamos naquela esplanada a jantar por muitos mais por-de-sois. Não falamos do que me punha cego, mas daquilo que me devolveria a visão. E foi amor, amor que eu não vi, mas senti.
Porque agora sou cego de amor por ela. Ela, a pessoa que tu és, mesmo que vivas num corpo de homem feito. E que sejamos dois homens feitos, com olhares destruídos ao nosso redor. Eu amo-a, a pessoa que vive dentro de ti.

Deixem simplesmente pessoas amarem pessoas.
Pois se for para morrer,
que seja cego de amor por uma  pessoa bonita.
Esteja ela no interior de qualquer corpo.
Se não for assim, que não seja de maneira nenhuma. - Ariana

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