Pela Terra dos Meus Avós: saudade do que já não volta.

  Aquele cheirinho a terra molhada. A uva diretamente da vinha. A bacalhau na brasa. A verde. A campo. A infância.
  Que bom que é sentir este calorzinho da lareira, que aquece muito mais do que os meus meros braços gelados. Aquece a alma, o coração. O mais difícil de aquecer em alguém. Todas estas paredes que me rodeiam e me abraçam sem qualquer toque, contam histórias que outrora foram a realidade de uma casa habitada por uma família. E quantas histórias podem contar umas meras paredes de uma casa... Aproveito para escutar o silêncios e todos os pormenores fazem parte dos contos.
  Os avós ao fundo das escadas, que já não estão, mas eu imagino (às vezes temos que imaginar para sobreviver à saudade). As crianças a gritar, a brincar, a rir. A mesa comprida, pratos espalhados. "Somos muitos e ainda falta gente". A mesa recheada de tudo e mais alguma coisa. Tradições e ingredientes chave nestes almoços de família. As brincadeiras no meio da rua, livre de carros e perigos. No meio da relva fria de orvalho. Brincadeiras de meninos.
  A saudade num feijãozinho do tamanho do mundo, todo ele dentro do meu peito bem fechadinho, para não cair a lágrima marota no rosto que já foi criança.


Quem me dera voltar a ser menina, a menina que corria no meio da rua sem olhar para trás, sem ter medo,
sem ter saudade do que já não volta.  - Ariana  




Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais pessoas no mundo que amem pessoas.

Desafio-nos.

OBRIGADA 2017 ❤