Quarto escuro.

O quarto estava escuro e eu estremeci quando vi que estava sozinha no meio de quatro paredes escurecidas pela noite. Parece mentira, mas nunca o meu coração foi tão pesado e tão vazio ao mesmo tempo, como naquela noite. Parecia que apertava, que se queria soltar de mim, sair pela boca. Queria sair num grito de gigante. Levava-me para o lado negro da minha vida. Pedaço de mau caminho. No meu quarto. Um filme vagueava na minha mente, assustava a minha alma. Que mal fiz eu para não gostares de mim, vida?
Parecia tudo escuro e nem a lua me salvava daquela escuridão. Solidão. Cega não sei de quê. Lua nova. Às vezes a solidão faz-nos sentir mais fortes, outras vezes nos corrói aos bocadinhos. Hoje foi uma dessas vezes. Nem um pequeno feixe de luz. Aparece! A solidão salva-nos das desilusões e evita as ilusões. Mas o que é a vida sem ilusões? Sem esperança? Sem nada onde nos agarrarmos? Agarrei-me aos lençóis e foi como me agarrar aos cabelos numa queda livre. Tantas paredes e eu sem apego, nem força para me agarrar. A vida precisa sempre de algo, alguém que nos ilumine o quarto escuro. A noite. Que seja a nossa lua, independe mente da fase.
Em criança tinha medo do escuro e só hoje percebi porquê. A escuridão do meu quarto é a minha solidão num só alma. Insónia. Insónia solitária sem ninguém com quem a partilhar. Nem a noite nem o café da manhã. Apenas existe o nada, o vazio. A escuridão.

E bastou um pequeno raio de luz para me iluminar. Virei-me para o outro lado e adormeci. Solidão derrotada. - Ariana


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