A vida é uma paisagem cheia de perspetivas.
Passo imensas horas neste banco de jardim, por vezes apenas a observar o que passa diante mim. Talvez por vezes até observe a minha própria vida a passar aos meus pés. Aprecio os outros como se de certo modo vivesse a vida deles. Saiu de mim. Permaneço fora de mim e de certo modo capto tudo aquilo que posso captar. Penso como se fosse outra pessoa e deste banco do jardim imagino-me agir de outro modo, com outro aspeto. Parece tudo tão fácil quando estou neste banco e a viver uma vida paralela à minha. Parece que ganho tempo, mas quando dou por mim o sol já se foi e eu passei grande parte do meu dia neste jardim, com uma paisagem tão bonita mas apenas paisagem. Quem consegue viver apenas de uma paisagem? De pessoas que passam diante mim e eu nem sei passar diante delas?
Corro para o comboio e estou atrasada, atrasada na hora de ter partido para o fim desta linha. Sinto-me como este mero comboio. Carregado de gente, que entra e sai quando chega ao seu destino. Mas eu paro quando estou vazia, e ele não, continua. Paro diante do meu sonho e sigo, hoje não é este o meu destino. Olho para o relógio, o tempo aqui para. Quando ando o tempo para, quando paro o tempo corre diante mim e eu nunca corro diante dele.
Deito-me na cama e os sonhos correm diante mim. Sou bailarina. Médica. Escritora. Sou aquilo que eu quero ser e não sou nada mais nada menos, que um mero ser pensante. Um ser pensante que se limita a viver de sonhos, de ilusões, de caminhos paralelos que jamais se irão cruzar. Quando é que irei andar a par com o tempo?
Saiu do comboio e caminho mais devagar do que nos outros dias para o banco do jardim. Que hoje está ocupado por alguém que me quis salvar, porque me sentei noutro banco e a perspetiva foi outra. Talvez a vida seja uma questão de perspetivas e tenha chegado a hora de não chegar já à ultima paragem. Aqui está o meu sonho sempre diante mim, hoje estou eu diante dele.
Tudo é uma questão de perspetiva,
escolhe o melhor ângulo. - Ariana.

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