As'sombras.

Os meus dedos começam a tremer e o frio transforma-se em dor e em medo. Em meros segundos o chão já me fugiu e eu fico suspensa numa nuvem qualquer pronta a desvanecer e me deixar cair. Chove em qualquer lugar que vá e é noite de lua nova em todas as manhãs. Fujo. Corro o mais que posso mas não saiu do mesmo sitio, como se a minha vida fosse um circulo, sempre igual. Escondo-me de mim e da minha sombra que me assombra e de todos os dias nascem noites, e de todas as noites, noites de novo.
Consumida pela ansiedade e pelo medo do escuro, da noite, de mim. Principalmente de mim. Já não me sinto tremer, já não sinto os pés, já não sinto dor. Já não sinto nada mais nada menos que nada. Nem as lágrimas inseguras de mim sinto. Apenas sinto que estou viva, porque o meu batimento cardíaco acelera e eu morro um bocadinho por dentro e o coração sai-me pela boca como se fosse a fugir de qualquer coisa que o atormenta. Tenho o medo dentro de mim e a frustração é a sombra que me persegue.
Procuro um abrigo de mim mesma, mas se eu me deixar quem me segura. Entre pessoas a solidão destrói todas as pontes e sela-me de muros. Sou uma prisioneira de mim, de uma prisão criada dentro de mim mesma, como se fosse a prisioneira e a dona das chaves que insiste em não abrir. Insiste em não abrir a porta, a única porta que se pode abrir no fim de tantas janelas fechadas. Faz frio e os meus ossos quebraram algures dentro de mim. Quem sou eu? Para onde vou? De que fujo, para onde fujo? Sou um medo permanente e quem sou eu sem medo? Diz-me onde fica o fugir que eu fujo, se prometeres que nesse lugar nascem dias e há raios de sol onde me possa aquecer, para acabar com este tremer constante.

De dia sou perseguida pela sombra
e de noite sou apenas eu,
a minha própria sombra. - Ariana.


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