Esqueci-me de te esquecer.

Esqueci-me de te escrever. Cartas de amor com cheirinho a flor, queimadas pelas pontas e mergulhadas em café. Esqueci-me do meu beijo em cada despedida e um sopro de saudade em cada envelope. Esqueci-me de te amar e de escrever cartas de amor. Cartas à moda antiga, à amor antigo como passam nas telenovelas e nos filmes a preto e branco. Esqueci-me de te amar com todas as cores. Com todas as flores dos jardins onde passeamos de mãos dadas como crianças inocentes em redor de uma fogueira. Esqueci-me de correr contigo, como fazíamos atrás de uma bola que rolava monte abaixo, onde acabávamos abraçados a partilhar a água de um rio inteiro. Esqueci-me de te amar por inteiro e deixei-me levar pelo trabalho e pelo amanhã, pelo dinheiro que falta e que tem que sobrar, pelo menino que está doente e pela mãe que já não ouve. Deixei-me levar por uma lembrança disfarçada de saudade que hoje carrego no peito, enquanto escrevo esta carta que tem remetente, mas que perdeu o seu destino.

Agora. Agora que te enchi o envelope de flores, deixei-te um beijo meu na despedida, mergulhei o papel em café e queimei as pontas. Já só resta a saudade daquilo para que nunca houve tempo.
Amar-te. Esqueci-me de esquecer de te amar.



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