Tarde demais.

Amanhã já vai ser tarde, eu sei, mas eu hoje não tenho tempo.
Corro para não perder o comboio como se toda a minha vida estivesse dentro dele, e na verdade até está. Não tenho bancos onde me sentar e descansar um pouco, a vida é mesmo assim, por vezes nem um banquinho no comboio temos onde repousar a cabeça. Seguro-me e olho o meu reflexo no espelho como se pela primeira vez no dia me cumprimentasse. O relógio conta todos os segundos que faltam para a minha paragem, por vezes não é a correta mas a esperada. Largo este comboio e ando a par com os outros, como se fossemos uma manada a caminhar na mesma direção. Ninguém olha para ninguém, cada um vive de si (como se isso fosse possível). Começo a habituar-me a esta solidão constante no meio desta multidão que caminha na mesma direção que eu. Agarro-me à minha música e sigo sendo como eles. O relógio não para e o dia ainda agora começou.
Entre trabalhos para entregar, avaliações e mais coisas que todos nós temos esqueço-me de quem deixei ficar noutras paragens da vida, que não esta. A vida é isto mesmo, uma constante mudança de paragens e em cada uma delas deixamos pessoas. A vida não é nada mais, nada menos que deixar pessoas. Deixar pessoas em paragens onde já estivemos, mas o importante da vida é poder voltar e ter (a)braços onde repousar a cabeça.

Mas a vida rouba-nos a vida e somos engolidos pelo quotidiano
que nos coloca o pão na mesa e a vida não é nada mais
que pão na mesa. Há amanhãs que nunca chegam.
E eu sei que amanhã já vai ser tarde,
mas eu hoje não tive tempo. - Ariana.

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