Apenas não sentes.
Sou aquela que fica no fundo da calçada com a esperança que o rio volte para trás. Que pare de correr e de fugir por entre os meus dedos. Que pare diante mim e que seja meu por uns segundos. Que me alimente a alma e me cure esta dor. Que faça arder para depois deixar de doer e que não volte a fugir de mim.
Quem me dera não ser esta água que passa por tudo e não para, não sente nem mente naquilo que já sentiu. Quem me dera estagnar mas sem ser água morta num charco qualquer. Só queria ser o mar que te molha os pés, que vai e volta e tu não pedes nada em troca. Aquele que te traz tranquilidade e um pouco de paz e sanidade. Aquele que volta para te abraçar e que tu esperas que te abrace, que te beije, que te ame. Porque te quer e nem sabes. Mas principalmente quero ser quem está ao teu lado num por-do-sol qualquer no final de um dia qualquer.
Invejo essa água que te toca e te traz de volta à vida, porque eu não posso sair mais desta esplanada, mas não te amo menos daqui.
Apenas não sentes,
aquilo que tu não sabes - Ariana.

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