Prazer de voltar aos braços da minha criança.
Todos nós devíamos voltar àquele sitio, aquele sitio onde em cada rua, em cada parede, em cada pessoa estão fragmentos do que fomos. Em cada cara uma nova memória que cai em conversa e eu não me esqueço de onde vim e da família que escolhi para chamar de minha.


Por vezes temos a sorte em ter uma família que podemos considerar escolhida, mas outras vezes não temos essa sorte e acabamos numa encruzilhada que a vida nos colocou e não temos opção, fomos determinados por alguém ou algo superior que por vezes gostava de perceber do que se trata, para fazer algumas reclamações. A verdade é que aprendemos a amar quem nos calha, de certo modo como uma rifa, ou não, mas não podemos ser obrigados a amar alguém, não é assim que funciona o amor, muito menos uma família. Não podemos ser obrigados a fazer parte da vida de alguém que por motivos, certos ou errados, não nos quer na sua vida, ou simplesmente sem motivos nenhuns, mas são coisas da vida. Acontece.
Mas a magia de uma família está no amor sem obrigação, sem sangue. O que importa o sangue? O que importam os genes? Amamos alguém pela sua personalidade, pela sua pessoa e não pelo sangue nem pelos traços que desenham o meu rosto. E eu aprendi num lugar gigante onde eu fui tão pequenina que a nossa família são as pessoas que nos tratam bem e nos fazem querer voltar ao final do dia ou até mesmo no fim de alguns anos. Mesmo que hoje a casa pareça mais pequena, ou talvez eu seja maior. Faz parte da vida deixar de ser pequena, partir, seguir em frente criar uma nova família, é o ciclo da vida e é um ciclo sem fim. Mas família é aquela onde podemos regressar e onde temos braços abertos para nos receber, onde podemos voltar a ser crianças pequenas, onde existe um sentimento de casa hoje, num passado presente.
Aqueles que nos viram ser nada para hoje sermos tudo, para sermos aquilo que somos hoje. E não há sangue nenhum, nem gene nenhum que se sobreponha á essência de uma pessoa. Somos o reflexo dos que nos rodeiam e eu escolhi quem me rodeava. Hoje sou o que sou porque aprendi a aceitar cada defeito das pessoas que amei com vontade própria, amar de forma reciproca.
E ontem alguém dizia no meio de uma canção qualquer:
mal ele sabia que eramos dois. - Ariana.



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