Viagens de comboio.
Ver o que o comboio deixa para trás preenche-me de saudade. A saudade, suada de lágrimas salgadas e carente do abraço do costume. É doloroso deixarmos o costume para criar rotinas novas. Termos de nos habituar a ver a cidade de todos os dias apenas de noite. As pessoas do costume passam a estar do outro lado da linha telefónica e não do outro lado da rua. Mas apesar de em nenhum horizonte se tocar, temos de tentar agarra-lo para ele parecer mais perto, mais palpável, mais alcançável. E é por isso que eu parto todos os dias. Para procurar o meu horizonte, o meu limite, o meu futuro.
Para poder voltar aos braços do costume e dizer que a saudade também sabe abraçar e chorar. Nem toda a saudade dói. Há saudades que existem apenas para nos fazer regressar à base onde basicamente temos os nossos pilares mais básicos.
Basicamente, eu vou regressar no mesmo comboio amanhã para te abraçar de saudade.
E quantas saudades cabem num mero comboio? - Ariana

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