Primeiro dia de inverno.
As minhas pernas balançam sobre o mar enquanto a respiração se dissipa no pensar. As pernas tremem numa colisão entre o medo e o frio. Mais uma pele dos lábios que se perde e sangra. Sangra e cura rapidamente repetidamente. Não há pessoas, nem gente, nem seres, apenas pensamentos que deambulam sobre o mar e que eu tento perceber se são verdadeiros. No entanto são só sonhos e pesadelos de uma cabeça cheia de nada.
Há medos que nos consomem e nos fazem esquecer de respirar e nos fazem sufocar e nos fazem ter medo até mesmo daquilo que não existe. Retorno a respiração e já perdi o sentido. Assim aparece o pânico, de não saber para onde vou, para onde devia ou quero ir. Como uma constante imagem de onde vim e de onde não quero voltar mais. O quotidiano é o pior inimigo de um ser humano. Mas eu sei onde não quero voltar, mesmo que não saiba para onde vou, não quero ficar mais sobre este mar que corre dentro de mim, que ade subir e me afogar em si. Mar salgado meu, de lágrimas minhas que nunca deixei cair.
Posso não saber nada de nada, mas sei que não quero mais voltar aqui, nem estar aqui onde não sinto que deva estar. É como uma tempestade constante neste lugar onde me querem prender e eu não quero ficar, o ar não é compatível com o meu respirar e eu fujo, como se tivesse para onde fugir, a não ser para os braços que me largou no meio desta terra perdida, do nunca, do nunca mais quero voltar. Mas há lugares que mudam, há lugares que se transformam e onde jamais me perderei de novo.
Talvez eu volte, quando este lugar deixar de ser um mar revolto que me quer naufragar e passar a ser o mar sereno que me vai limpar a alma.
Porque só as ondas do mar nos fazem ficar
e lembrar que é preciso respirar para as ver de novo.
Mesmo quando é o primeiro dia de inverno. - Ariana.

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