a carta que eu nunca te escrevi...
Adormecemos de costas voltadas e nunca mais te vi sorrir. A verdade é que também nunca mais sorri, nenhum amor devia discutir como nós os dois discutimos na noite antes de partires. Amei-te ainda mais no dia em que foste embora, mas tu não sabes, nem precisas de saber agora que passou. Passou o tempo, porque o amor continua onde o deixaste. Aquele ainda é teu, mesmo que eu ame outra pessoa. Mesmo que a minha vida tenha seguido em frente e que agora não faças fisicamente parte dela. Que seria da minha vida sem ti de vez.
Disseste que não te amava e quem era eu para te contrariar depois de ter dito para ires à tua vida que eu ficava bem. Como fui um otário ao ponto de dizer que ficava bem. Devias ter percebido que era mentira. Mas quem sou eu para te dizer para ficar? Mas quem sou eu para te prender numa pequena gaiola e te proibir de voar? Nenhum pássaro resiste muito tempo a uma gaiola fechada. Não queria que me culpasses e tu culpaste na mesma. É o preço a pagar por te amar e nunca te domesticar. Cada um ama à sua maneira. E hoje, que te vi passar naquela rua estreita, que ficou ainda mais estreita quando passaste do outro lado, ruas paralelas que jamais se irão cruzar de novo, com o teu andar desajeitado, o teu sorriso que outrora fora meu com um outro alguém. Não me viste, nem queria que o fizesses porque eu amei-te de mais para ser outra vezo filho da mãe que te disse que ires que ficava bem. Não era capaz de deixar de lado o meu egoísmo, o meu amor próprio e dizer "felicidades". Não era capaz de voltar a desistir de te amar para te amar ainda mais.
Fechaste a porta naquele dia e eu amei-te a cada milímetro de distância. Sofri cada palavra que se repetia na minha cabeça, que eu era a tua desilusão. Fiquei feliz ao ouvir isso, senti que me tinhas amado. Às vezes amar também é isso mesmo, deixar ir mesmo sabendo que não volta. Amar sem ter só para ver sorrir de novo. Nenhum amor merece viver num gaiola, todos os amores são feitos para voar e se assim não for, sejam filhos da mãe e deixem ir.
Amo o teu sorriso mesmo já do outro lado da rua. Dois corações podem-se amar mesmo que já sejam de outro alguém. Como o meu ainda te ama enquanto abraço outro alguém e lhe coloco um anel no dedo. Eu fui o filho da mãe que mais te amou neste mundo e se te deixar era o preço a pagar para te ver sorrir de novo, a divida ficou saldada.
"Aqui fica, a carta que eu nunca te escrevi...
do filho da mãe que mais te amou" - Ariana.

Comentários
Enviar um comentário