Cacos de um coração.
Podes entrar. Mas espera! Por favor, entra devagar, não te
cortes em todos os cacos espalhados pelo chão, não ligues à bagunça que abunda
no meu coração, não toques no pó, nem na sujidade. Não olhes muito em redor,
ignora o que já fui, o que já se quebrou, o que já quebrei. Se quiseres entrar,
agora podes. Mas promete-me que não aumentas a desarrumação, a confusão, o
delírio em pó. Promete-me que não pioras o caos, que não fazes mais estragos,
que não calcas os vidros espalhados. Entra devagar para não assustar.
São os acidentes em certas curvas que nos fazem mudar de
caminhos, que nos fazem colocar a marcha atrás, que nos fazem esperar o tempo
certo na berma da estrada, mesmo que faça escuro na rua. Não sou toda bagunçada
como aparenta o meu coração, apenas um pouco. Um pouco de mais. Mas está nas
tuas mãos, não precisas de limpar os cacos, nem o pó, nem as janelas que dão
para o jardim. Apenas te peço que fiques, aceita o meu coração assim como ele é
e respeita-o. Respeita o meu coração, magoado, quebrado, como esta. Apenas não
piores. Promete-me que não vens contribuir mas ajudar.
Podes entrar, mas não partas mais nada.
Nem partas, por nada.
- Ariana

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