Meu mar salgado.
Hoje chove na praia que se esconde por entre o nevoeiro e eu finalmente posso chorar. Posso me despir de fachadas e mascaras, posso finalmente ser eu mesma. Está toda a gente preocupada com guarda-chuvas, casacos grossos e a maltratar o tempo por ele hoje ter decidido ser ele mesmo. De forma dura e crua, como eu. E eu, deixo-me ficar aqui, observando o mar e a encher esta maré de água salgada, água que outrora fora minha. Nem sempre nos é permitido sermos nós em bruto.
Hoje, felizmente ninguém repara em mim, ou minto, acham que sou maluca por estar aqui à chuva a observar o mar que não me vai fugir até ao próximo dia de sol. Mas a melhor parte de ser maluca é que ninguém vai querer saber e eu posso ser livre e chorar gotas de chuva e posso ver lágrimas caírem no chão sem me julgar a mim própria, nem ser julgada por zé-ninguéns. Quero gritar para o meu grito ir com o vento. Deixo-me ir e consumir pela tempestade porque eu posso, eu hoje permito-me ser humana.
Nós somos exatamente um tempo. Por vezes tempestade por vezes ameno. Somos impossíveis de agradar a todo o mundo, seres mortais e imperfeito, graças a alguém superior a nós. Felizmente, porque nunca vi um louco agradar o mundo, nem nunca vi ninguém feliz a fazê-lo. por isso não quero, não me permito, hoje só me permito ser humana.
A única pessoa que se preocupa contigo, quer lá saber do tempo, aguarda ai, sentada, ao teu lado debaixo dessa tempestade tua e que de certo modo lhe agrada.
Para no final poderem voltar juntos de mãos dadas
a um por-do-sol qualquer de Agosto. - Ariana.


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