Porta entreaberta.

Vaguei-o pelas ruas da cidade. Parece vazia, tão triste. As luzes perdem a intensidade com o passar das horas. Paradoxos da vida, que fazem um anoitecer, parecer um amanhecer. Deixo-me ir. Às vezes gosto simplesmente de me deixar ir, nas mãos do destino para ver qual o sentido da vida. Para onde me leva. Sou uma folha que se deixa levar pelo vento, que deambula solitária e sem saber se regressa. Parto e permito-me partir para poder saber para onde vou e porque vou. Saber voltar.
Perco-me em pensamentos aleatórios e no calor do café que me aquece a alma. E sinto-me num por-do-sol de inverno. Deve ser este frio que me consome e que congela cada ponto do meu corpo. Como a minha cidade às vezes parece tão solidária comigo. As ruas contam-me segredos e eu confesso-lhes desabafos. Desabafos de uma vida demasiado quotidiana e tão pouco humana. Às vezes esquecemo-nos de ser humanos, de chorar, de sofrer, de dizer que não, porque simplesmente não, não queremos ou simplesmente não nos apetece.
Deixo-me ir, entre dilemas e sussurros pelas ruas e percebo que a rua me trouxe de novo a casa. E como é bom regressar a ti. É preciso saber onde estamos para podermos partir. É preciso nos conhecermos para podermos ir. E voltar. Com o coração cheio e de braços abertos.

Deixo a porta entreaberta, para poder ir e voltar,
com a alma carregada de saudade de ti. - Ariana.




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