Luto de ti.

Os pássaros cantam lá fora mas eu recuso-me a ouvir. Devia ser proibido cantar, se tu partiste. A minha alma está feita um corvo. Está negra, perdida e com um asa ferida. O dia não devia ter acordado, de que vle ser dia se vivo numa noite profunda, noite de lua nova, perdida em ruelas da cidade. Estou de luto! E não, não luto. Não consigo erguer as pernas deste fundo, estou sem forças, não consigo lutar por algo que virou costas e vi partir. Eu vi partir muito antes de isso acontecer e não conseguir agarrar as tuas mãos e te prender num abraço. Essa imagem corre em mim, de tu bateres a porta e nunca mais regressares. Tenho pena da vida deste mundo, que num dia segundo perdeu logo duas vidas, uma e meia por inteiro, outra meia anda perdida por ai.
Recuso-me a aceitar e é por isso que estou de luto e contra isso eu não luto. Porque preciso que este negro do meu coração se desvaneça, preciso que com o tempo, a chuva e as lágrimas tinja a cor de corvo, para eu me puder libertar deste luto, coração ferido. E se eu não fizer luto nunca te vou deixar porque vais estar em cada lágrima negra que escorra por entre os meus soluços de saudade, por entre os meus lábios e os teus beijos que não chegam. Mas se estiveres para chegar, vem, que os teus braços nunca chegam fora de horas.
Nunca me ames por favor, mas imploro-te que me ames com amor. E hoje choro a morte, de quem nunca me fez chorar em vida.

" A tua carta da tua amada, Julieta. " - Ariana.

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