Não posso mais, amar pelos dois.
Sentada nesta calçada, de mãos dadas com o tempo, eu te amei
todos os dias da minha vida. Mesmo nas noites ausentes e nas insónias
permanentes. Mesmo quando me dizias te tinhas trabalho e eu sabia que era mais
uma desculpa. Mesmo quando deixaste de me abraçar do jeito do primeiro dia.
Mesmo quando me deixaste de amar, eu fiquei aqui.
Aqui, no mesmo lugar de onde nunca sai, com esperança que
voltasses um dia com os olhos cheios de mim e implorando o abraço que sempre
esteve aqui de braços abertos e cansados de tanto esperar. Amei demasiado para
um coração sozinho, perdido num nevoeiro de um dia de inverno. O frio
entranhou-se em mim e mesmo assim amei-te. Como se tivesse nascido só para
isso.
Mas hoje chegou o dia de te deixar ir e de uma vez por todas
me deixar ir a mim. Já te implorei que voltasses, que me amasses, mas o amor
não se mendiga mesmo que eu tenha sido uma mendiga de ti. Os braços desolados
deixaram-se cair diante do meu corpo cansado e ressacado de ti. Preciso de ir,
mesmo que deambule o resto da minha vida, preciso de me deixar ir, de me
libertar. O meu coração amou de mais e todos os amores se esgotam quando se ama
a dobrar.
E o meu coração não pode mais amar, pelos dois. - Ariana.

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