Cruzei-me com a saudade.
Hoje cruzei-me com a saudade pelas ruas da minha cidade.
Lá ia ela em forma de gente, em forma de menina, subtil e despercebida. Despercebida ao mundo mas jamais para mim. Os olhos foscos e tremidos fugiram dos meus e a verdade é que agradeço. Jamais conseguiria encarar a saudade que carrego no peito e que me faz deambular às tantas da madrugada pelas ruas onde a encontro num olhar. Olhos meus que são espelhos da minha alma e onde a saudade vive e se demonstra. Sou tão despida dentro de mim e nunca ninguém me viu nua por ai. Porque ninguém me olhou nos olhos com olhos de quem vê e não como quem olha.
Queria-te ter cumprimentado, apertado a mão, agarrar e enfrentar este meu medo de ti e te daquelas conversas de circunstância que tanto detesto mas das quais tenho saudade. Devia ter enfrentado esse teu sorriso, esse teu olhar, matar-te numa conversa de amigos para perder este medo de cada virar da esquina e desta saudade.
Mas lá ia ela toda lampeira e dona de si e de mim, um pouco. Com uma lágrima no canto do olho para mim e com um sorriso forçado, que no meio de tantos outros é só um sorriso, nos lábios.
E agora lá vou eu,
jamais dona e segura de mim,
por ruas outrora nossas e
agora apenas suas. Saudade. - Ariana.

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