Meu coração de lata inundou.

Foi a não chorar que inundei a minha alma e sequei a minha pessoa. Afoguei-me em mim mesma sem uma única lágrima verter. Sem nenhuma lágrima me umedecer o rosto. Sem nenhuma lágrima molhar o papel onde escrevo. Sem nenhuma lágrima sentir que me derrotou. Eu não penso que quem chora é sempre o derrotado, mas penso que quando eu choro o sou.
Por isso, não choro! Não me vais ver chorar pela rua, apenas na noite escura me vou deixar levar entre pensamentos atrozes que me levam a sanidade e de um coração de lata passo a coração de papel. Assim afogo-me de dentro para fora, grito por socorro mas já é tarde, já passaram demasiados 365 dias, de cada vez, desde o primeiro em que as lágrimas passaram a ser minhas. Apenas minhas. E assim vou pairando sobre o vivo, vivendo num constante flutuar que se vai deixando ir na corrente da vida, entre cascatas e meros riachos, águas calmas e tempestades. Só água salgada de mim, minha. Meu mar salgado.
E quem me dera poder chorar mas minha fonte secou, sou uma pessoa de coração de lata e sem lágrimas, dizem aqueles que passam por mim. E quem me dera ter coração de manteiga e ser transparente a quem me vê. Ou quem me dera ser de ferro e invisível a quem me magoa. Tudo menos um coração com lata, que se esquece
que sou um ser humano.
E eu só queria aprender a nadar, ai como eu queria! Nadar para o outro lado da margem, largar este lado de tristeza que me coloca á mera margem da minha vida, de lado, de parte do que realmente me realiza. Um dia vou nadar com toda a força do mundo e chegar aos braços de quem me quiser receber.

Para puder chorar nos braços de quem me faça sorrir
e me deixe ser humana,
mesmo com o meu coração de lata. - Ariana.

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